Oi.
Venho por meio desta dizer-te que “TE AMO”.
Tua inteligência humilde me encanta, amo a inteligência acima de tudo, mas detesto a soberba. É isso que me encanta em você. Você não é soberbo com relação à sua inteligência.
Tuas mãos também me encantam, sempre tão expressiva, tua simplicidade, tua timidez.
Talvez, quisesse ser somente igual a você, talvez seja simplesmente admiração, mas minha cabeça não se limita a tão pouco.
Nela, posso ver nossos corpos se aproximando, nosso olhar se encontrando na distância. Sua voz grave a me cumprimentar com um doce “olá”.
E infinitamente completando com um “como vai?”. Ao que gostaria de responder: “muito melhor agora”. Depois desse simples ato social, minha mente continua em sua viagem alucinógena. Um jantar, ou até mesmo um copo d´agua, um convite, um sorriso, um toque macio. E o começo da máxima expressão de tuas expressivas mãos. Um toque suave. Os corpos começam a ceder, os lábios se desvaem em deliciosos beijos, as línguas se enroscam não permitindo a fala. Neste momento somente os corpos falam. Os dentes se arrepiam. As mãos passeiam em uma aventura em braile pelo corpo mais próximo, os pelos, a pele, o suor, as pernas, os braços, os suspiros, a respiração em uníssono e uni ritmo, as línguas já se tornaram uma. Os braços de tão enroscados, já não sabem onde começam e se terminam. As pernas se tropeçam umas nas outras impedindo uma indesejável fuga.
O espaço e o tempo deixam de existir. Os soluços, a respiração, os gemidos surdos. As descobertas de um novo território, estranho e ao mesmo tempo tão desejado. Os pelos hirtos, a pele salpicada, os dentes leves, os ossos arrepiados. O coração tal qual uma escola de samba ou um suave tango. Em suas variações sobre um mesmo tema. As mãos. As pernas. O corpo. A união de dois em uma mancha viva. Os pelos, a pele, o corpo. A língua, os dentes, os ossos. Os movimentos tão rápidos que parecem imperceptíveis, os lentos movimentos que mais parecem uma freada brusca. A falta de noção.
O cérebro não mais existe. O toque e o som, o cheiro e o gosto. A visão já destorcida, inexistente.
Isso dura horas, ou apenas um segundo. Mas a imagem permanece para sempre em meus detalhes, minhas células, minhas papilas. O desejo. A posse. A entrega voluntária. De ambos que já se tornaram um.
Eu te amo. Não posso dizer. Tua língua me impede. Mas eu te amo.
Gostaria de poder escrever-te isso. Só para ti. Para teu íntimo. Eu te amo. E te desejo.
Mas a verdade é que não posso.
A verdade é que sou covarde e não consigo enviar-te tal texto.
Então para não mantê-lo só comigo. Publico aqui e peço que você saiba que é para ti que escrevo.
Eu te amo.
Eu te desejo.
Quem sabe um próximo encontro casual.Ou não.
Eu te amo.
Eu sou covarde.
Essa é a verdade