EU E AS MÁSCARAS

William Shakespeare já dizia: “the world is a stage, and all the men and women are merely players” (o mundo é um palco e todos os homens e mulheres são meros atores).

De fato essa afirmação não deixa de ser verdade, se pensarmos em todos os papéis que assumimos ao longo de nossa vida. A cada papel escolhido e vivenciado cabe uma máscara diferente, com seus traços e suas características próprias. Até aí, sem grandes problemas. Todos o fazem.

O problema começa quando as máscaras vestidas não são despidas. E uma máscara é vestida sobre as anteriores, até que não possamos mais reconhecer nossa verdadeira face. Se é que exista uma!

O grande mal desse processo é que quando gostaríamos que nos vissem como realmente somos e não podemos. Primeiro por estarmos tão bem disfarçados com tantas máscaras sobrepostas, que se torna quase impossível despir todas elas de uma vez. Segundo por medo de nos expormos e sermos ridicularizados, massacrados, machucados e feridos no mais íntimo de nós.

É o que se passa comigo, e algo que estou tentando parar, ou pelo menos diminuir um pouco.

Durante anos fui machucada, pelo simples fato de ser eu mesma. Isso na fase mais sensível de uma pessoa. A transição entre a infância, onde a inocência e a ingenuidade são absolutamente esperadas do individuo, e a vida adulta, onde uma máscara padronizada é exigida de todos.  Se esse processo “natural” não é feito passo a passo, isso pode criar um trauma muito grande. Pelo peso criado por esse amontoado de máscaras colocadas de uma só vez, sem nenhum discernimento.

Hoje, mais de 15 anos depois desse processo enlouquecedor, tento despir, ao menos algumas dessas máscaras, aquelas que não são de serventia a não ser para de esconder um mundo de possibilidades; ou pelo menos, deixa-las mais translúcidas.

O meu maior sonho hoje seria, talvez, que alguém pudesse ver através dessas máscaras. Que se me mostrasse ser suficientemente confiável para que eu pudesse revelar algumas delas.

Posso dar um pequeno exemplo das máscaras que visto:

Quando visto a máscara da comédia, é somente para esconder a mágoa que eu sentia quando era humilhada pelos colegas e amigos que são eram amigos quando se tratava de fazer festa na minha casa, mas que, na frente dos outros, não podiam falar comigo para não serem desprezados pelos outros.

A máscara da confiança ou da menina metida serve para esconder a total falta de autoconfiança que carrego desde então.

A máscara da alegria esconde a tristeza por não poder ser mais autentica.

A Máscara da durona esconde a carência que sempre senti e continuo sentindo por achar que nunca serei feliz ao lado de alguém, não que me complete, pois sei que isso só cabe a mim mesma, mas de alguém esteja ao meu lado e que divida momentos marcantes e importantes, da mais tênue bobagem à maior das dores ou alegrias.


A máscara da sábia esconde a falta de sabedoria em como modificar toda essa estrutura construída por mim mesmo durante anos.

Existem outras tantas máscaras, mas sao tantas, que se torna muito dificil lembrar de todas agora. depois atualizo..

Não que em alguns momentos eu não seja alegre, cômica, durona ou sábia. Mas de um jeito ou de outro, preferiria que não fossem somente máscaras, e sim sentimentos absolutamente verdadeiros. E mais que qualquer outra coisa, que se pudessem mostrar esses sentimentos reais sem ser, por isso, machucado.

 

~ por Helgha WeiBfüder em abril 28, 2011.

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